Setembro chegou ao fim; Outubro foi breve devido aos feriados e recessos, porém durou o suficiente.
Mesmo passado esse tempo, não havia me esquecido do rapaz da cafeteria. Todos os dias a imagem invadia minha mente; por vezes ficava me perguntando o porquê daquilo. Até então, acreditava apenas na atração física, é impossível ter qualquer outro sentimento por alguém com quem nunca se conversou antes, não é?
Não.
Por volta da última semana de Outubro eu o vi novamente, porém dessa vez foi diferente. Definitivo.
Eu vi seus olhos. Olhos verdes.
Verdes como esmeralda líquida brilhando ao sol, como os mares das praias por onde desfilava a bela Iracema do mestre Alencar.
Olhos estes que não chegaram a encontrar os meus; tão carentes e abandonados a um castanho claro que, por vezes, desgasta-se em um dourado.
Por mais brilhantes que fossem seus olhos, estranhamente, não havia vida neles. Eram como se estivessem com uma venda que obstruía a passagem de sua luz interna para fora.
Porém foram esses olhos, verdes e vendados, que me revelaram algo valioso e que, até então, eu não acreditava existir: o meu próprio coração. Mostrou-me que a atração física era algo mínimo perto da supremacia do verdadeiro sentimento que tomou conta de mim.
Outubro foi embora, e completou meu ser com um humano.
