terça-feira, 3 de julho de 2012

Olhos Verdes


Setembro chegou ao fim; Outubro foi breve devido aos feriados e recessos, porém durou o suficiente.
         Mesmo passado esse tempo, não havia me esquecido do rapaz da cafeteria. Todos os dias a imagem invadia minha mente; por vezes ficava me perguntando o porquê daquilo. Até então, acreditava apenas na atração física, é impossível ter qualquer outro sentimento por alguém com quem nunca se conversou antes, não é?
         Não.
         Por volta da última semana de Outubro eu o vi novamente, porém dessa vez foi diferente. Definitivo.
         Eu vi seus olhos. Olhos verdes.
         Verdes como esmeralda líquida brilhando ao sol, como os mares das praias por onde desfilava a bela Iracema do mestre Alencar.
         Olhos estes que não chegaram a encontrar os meus; tão carentes e abandonados a um castanho claro que, por vezes, desgasta-se em um dourado.
         Por mais brilhantes que fossem seus olhos, estranhamente, não havia vida neles. Eram como se estivessem com uma venda que obstruía a passagem de sua luz interna para fora.
         Porém foram esses olhos, verdes e vendados, que me revelaram algo valioso e que, até então, eu não acreditava existir: o meu próprio coração. Mostrou-me que a atração física era algo mínimo perto da supremacia do verdadeiro sentimento que tomou conta de mim.
         Outubro foi embora, e completou meu ser com um humano.
         

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